28.07.2010

Leão abocanha R$ 700 bilhões

O Impostômetro atingiu ontem a marca dos R$ 700 bilhões. Esse é o montante que os governos federal, estaduais e municipais arrecadaram com tributos desde o início de 2010. O apetite do Leão aumenta em ritmo surpreendente. Ele só precisou de sete meses para abocanhar o equivalente à arrecadação tributária do País em 2005, quando foi recolhido um total de R$ 732 bilhões.

O Impostômetro é um painel eletrônico instalado no prédio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele mostra a evolução da receita tributária do País em tempo real. O acompanhamento também pode ser feito pela internet, pelo www.impostometro.com.br. Os R$ 700 bilhões foram alcançados 41 dias antes neste ano ante 2009, quando a marca foi atingida no dia 4 de setembro.

O aumento do ritmo da arrecadação ao longo dos anos pode ser explicado pelo crescimento econômico, continuidade do processo de formalização de empreendimentos e trabalhadores e mais eficiência do fisco, entre outros fatores. O problema não é o quanto se arrecada, mas o fim dado aos recursos capturados. É consenso que a qualidade da educação, saúde ou infraestrutura do Brasil não evoluem no mesmo ritmo da arrecadação, o que torna ingrato o dever de recolher impostos.

E o que seria possível fazer com R$ 700 bilhões? Construir cerca de 34 milhões de casas populares de 40 m², erguer 58,3 milhões de salas de aula equipadas, construir 8 milhões de quilômetros de redes de esgoto e asfaltar 700,3 mil quilômetros de estradas.

Ranking mundial – Os brasileiros estão entre os que mais pagam tributos no mundo. Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostra que o brasileiro foi obrigado a trabalhar 148 dias ao longo de 2010 – ou seja, até 28 de maio – só para ficar em dia com os fiscos. Apenas os suecos (185 dias) e os franceses (149 dias) trabalham mais do que os brasileiros para pagar impostos.

O mais cruel é que a maior parte (65%) dos tributos no País incide sobre o consumo. A peculiaridade faz com que os pobres sejam mais prejudicados porque a população com menor poder aquisitivo compromete, proporcionalmente à população mais rica, maior parcela dos seus ganhos com a aquisição de bens.

Os principais tributos que incidem sobre o consumo são: o Programa para a Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto sobre Serviços (ISS).


Fonte: Diário do Comércio